No início das operações no terminal, em 2017, observou-se que duas espécies de aves marinhas ameaçadas de extinção no Brasil — o trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus) e o trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) — passaram a utilizar a área anualmente, entre abril e setembro, como local de nidificação.

Também foi identificado que os locais escolhidos não eram os mais adequados para a reprodução, devido à circulação de veículos e às atividades operacionais, o que poderia impactar o comportamento e o sucesso reprodutivo das aves. Nesse contexto, buscamos soluções sustentáveis que permitissem a convivência entre as espécies e as operações do terminal. Em 2019, de forma voluntária, foi realizado um diagnóstico que orientou ações de monitoramento contínuo, manejo, afugentamento e educação ambiental.

Já em 2022, identificamos a oportunidade de ir além, com a estruturação de um projeto de conservação, que recebeu o nome de Aves do Açu. A iniciativa envolveu pesquisa, conservação, mapeamento de rotas migratórias e manejo das aves, além de ações de educação ambiental entre nossos colaboradores, fornecedores, contratadas e comunidades.
Em 2026, o projeto avançou com a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica com a PETRONAS e a Braço Social, incorporando, entre outras iniciativas, a tecnologia de telemetria satelital ao monitoramento dos trinta-réis. A parceria prevê investimento no desenvolvimento e validação de um modelo integrado de manejo e conservação de aves marinhas em terminais portuários do setor de óleo e gás, conciliando a reprodução das espécies com as operações.

O modelo considera aspectos como parâmetros reprodutivos e demográficos, dinâmica espacial e migratória, ecologia alimentar e condições sanitárias, tendo como referência o T-Oil. O projeto também conta com parceria com a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Caruara, com foco na observação de aves. Entre as ações, estão a criação e manutenção de uma trilha e de uma estrutura de observação, a CasaMata, além da previsão de expansão para outras Unidades de Conservação do Norte Fluminense, com estudos da fauna e da flora.

Atualmente, o projeto Aves do Açu está estruturado em diferentes frentes de atuação:

Pesquisa, conservação e manejo dos trinta-réis no T-Oil.
Pesquisa e monitoramento da avifauna em unidades de conservação.
Observação e contagem de aves em áreas próximas.

Desenvolvimento de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) voltados à dinâmica das populações, migração, alimentação e saúde das aves.

Expansão do mapeamento de rotas migratórias e dos estudos de fauna e flora para outras áreas.
Com base nessas frentes, em 2022 foram iniciadas ações de manejo e monitoramento da reprodução das aves, incluindo proteção de ninhos, acompanhamento do sucesso reprodutivo e anilhamento de filhotes e, quando possível, de adultos.

Até o momento, foram identificados, monitorados e protegidos 557 ninhos de trinta-réis-de-bico-vermelho: 72 em 2022, 213 em 2023, 90 em 2024 e 182 em 2025.


Em 2025, foram registrados 259 ovos de trinta-réis-de-bico-vermelho, sem necessidade de realocação, o que indica a eficácia das ações implementadas e a convivência harmoniosa com as operações do terminal. Nos anos anteriores, foram contabilizados 293 ovos em 2023 e 140 em 2024, todos monitorados quanto à eclosão. Em 2022, não foi possível quantificar o total devido à metodologia adotada à época.


Ao todo, já foram registrados 296 nascimentos de filhotes trinta-réis–de-bico-vermelho no terminal: 32 em 2022, 96 em 2023, 69 em 2024 e 99 em 2025.


Em 2024, além do trinta-réis-de-bico-vermelho, foi observada pela primeira vez a formação de uma colônia reprodutiva significativa de trinta-réis-de-bando, ampliando a importância do terminal para a conservação dessas aves. Em 2025, foram registrados cerca de 3.000 indivíduos dessa espécie na área. Apesar dos desafios operacionais, o isolamento da área ocupada pelas aves durante o período reprodutivo contribuiu para esse resultado, reforçando a eficácia das medidas adotadas no T-Oil.


Ao todo, foram anilhados 256 trinta-réis-de-bico-vermelho e trinta-réis-de-bando, sendo 31 em 2022, 63 em 2024 e 162 em 2025. Não houve atividade de anilhamento em 2023 devido às restrições impostas pelo estado de emergência sanitária no país, em razão da gripe aviária.

 

O anilhamento é uma importante ferramenta para o estudo das aves, pois permite gerar informações sobre padrões de distribuição e migração, identificar a idade dos indivíduos, estimar parâmetros demográficos e compreender a frequência de uso dos sítios reprodutivos. Os dados coletados são registrados no Sistema Nacional de Anilhamento,coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Com monitoramento intensivo, pesquisa e estratégias de mitigação bem planejadas e executadas, o T-Oil vem se consolidando não apenas como uma área estratégica para a conservação dessas espécies, mas também como um ambiente favorável à sua reprodução.

Nesse contexto, os resultados do projeto — alinhado à Década da Ciência Oceânica da Organização das Nações Unidas (ONU) — contribuem diretamente para o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Marinhas, para diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 e para o Planejamento Espacial Marinho do Brasil.

Como reconhecimento, o projeto Aves do Açu conquistou o 1º lugar no Prêmio ANTAQ 2024, na categoria de artigos técnico-científicos, e foi vencedor do Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2025, na categoria Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos — reforçando seu alcance e relevância!

Esses resultados reforçam o alinhamento aos princípios de sustentabilidade na gestão e demonstram o potencial de replicação das iniciativas em outros terminais.